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O blog EPISEMA está a acompanhar os acontecimentos relativos à reforma do ensino artístico.
Há um ano, a escola propôs alargar a experiência a mais duas autarquias, mas o Ministério da Educação chumbou. Anteontem, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, à saída de uma reunião com a EMCN disse que a experiência está a ser avaliada.
“É assim que o ministério quer chegar a mais alunos?”, pergunta Mafalda Pernão, comentando o anúncio de alargar o ensino da música a todos os estudantes do 1.º ciclo. Para o director da EMCN Wagner Diniz a intenção da tutela é fazer “engenharia financeira”: os professores são despedidos do conservatório e contratados para fazer as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no 1.º ciclo. Um ensino que não é igual ao ministrado nos pólos.
“Integremos nas AEC o alargamento do acesso à educação musical em geral. No que diz respeito ao ensino especializado, ainda está em fase de discussão”, disse Valter Lemos.
Dois dias antes, Paulo Feliciano, vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, responsável pela reforma, disse ao PÚBLICO que a intenção é pôr cerca de uma centena de escolas privadas a dar ensino especializado às crianças do 1.º ciclo. Mas a Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo já fez saber que essas escolas não têm meios para estender a oferta a todos os alunos. B.W.
O ministério quer que as escolas de música públicas – os conservatórios de Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto e o Instituto Gregoriano de Lisboa – deixem de oferecer os cursos de iniciação musical às crianças do 1.º ciclo; e que deixem de ter alunos em regime supletivo (que estudam noutras escolas e aprendem Música no conservatório). Estas medidas põem em causa o ensino na maior parte das escolas, mas tem sido Lisboa que mais se tem indignado. Afinal, pode perder a maioria dos seus alunos, cerca de 550 podem ficar de fora.
Em vez do supletivo, a tutela propõe que as escolas mantenham o regime articulado (o aluno tem aulas na escola básica ou secundária, articuladas com as disciplinas no conservatório), mas ofereça sobretudo o ensino integrado (tudo na mesma escola).
A EMCN tem apenas 44 estudantes nesta situação. “À excepção de Braga, somos os únicos a ter integrado no 5.º ano e no secundário”, informa Wa-gner Diniz, director da escola. Não há mais alunos porque as famílias e eles próprios não querem, contrapõe Mafalda Pernão, professora na EMCN. “Os pais não estão interessados porque não são de Lisboa e preferem fazer menos deslocações para o centro da cidade”, explica. Os alunos também preferem ficar nas escolas onde estão porque é lá que têm os seus amigos, acrescenta.
Para Maria Ana Fleming, directora do Conservatório de Aveiro, os três sistemas podem coabitar. Também a Federação Nacional dos Professores tomou uma posição, no final da semana, afirmando o mesmo. Contudo, o Ministério da Educação quer levar por diante a reforma, com um tempo de transição para o novo modelo.
Há precisamente um ano, foi conhecido um relatório sobre o ensino da Música, encomendado pelo Ministério da Educação. O estudo feito por uma equipa de professores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa demolia o actual modelo, considerando-o caro e com baixas taxas de sucesso. A sugestão do grupo liderado por Domingos Fernandes (ex-secretário de Estado da Administração Educativa do Governo Guterres) foi a de que o ensino artístico seja feito, em regime integrado, ou seja, que a formação específica seja no mesmo local em que se têm as outras disciplinas gerais.
Este tipo de ensino poderá ajudar a melhorar o trabalho pedagógico e a reduzir as taxas de retenção e abandono escolar, defende a tutela, que quer fazer chegar a formação musical a todo o universo escolar. Actualmente apenas 17 mil estudantes num universo de 1,5 milhões têm acesso ao ensino artístico especializado. “Cada um dos regimes tem virtualidades e defeitos. O que pedimos é que os alunos possam escolher”, diz Wagner Diniz.
«Curioso é que o Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues baseie esta reforma no relatório final de um estudo de avaliação do Ensino Artístico elaborado por uma equipa de doutores em Psicologia da Universidade de Lisboa, coordenado por Domingos Fernandes, que não se lembraram de contactar nenhuma desta gente. A bibliografia do estudo tem como grandes referências obras escritas em finais do século XIX e princípios do século XX, à excepção da análise de um capítulo de A Música Portuguesa e os seus Problemas, da autoria de Fernando Lopes-Graça, um livro escrito em 1973.»
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/237101
Governo garante período de
transição na aplicação da reforma
ao ensino de música
«CONCENTRAÇÃO / MANIFESTAÇÃO À PORTA DA ESCOLA DE MUSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL
DIA 11 – 2ª FEIRA – 10 HORAS DA MANHÃ (concentração às 09.45)
Far-se-à uma concentração em defesa desta casa e do ensino especializado da música por ocasião da visita da Comissão Ministerial encarregue da sua “refundação” – ou seja – da redução do ensino público à sua ínfima expressão. Será entregue pelas Comissões de Pais e Professores, a esta Comissão, um manifesto que consubstancia o essencial das nossas posições.
Seguidamente terá lugar, no Salão Nobre, um concerto dos alunos das Iniciações – Orquestra e Coros e outros grupos de câmara.
Tragam as vossas T-shirts do Conservatório, crachás, cartazes, etc, o que considerem permitir a expressão da vossa indignação e pesar.
Passem esta informação a todos os vossos familiares e amigos, a todas e todos que se preocupam com a defesa da nossa cultura e do ensino público.
Ao longo da manhã será organizado um cordão humano em torno do quarteirão – precisamos de 500 pessoas – possamos estar 1000!
. Por volta das 11h30 terá lugar uma Reunião de Professores onde serão analisadas novas tomadas de posição.
Os professores da EMCN»
DIA 15 DE FEVEREIRO (sexta-feira)
PALÁCIO DE S.BENTO (Assembleia da República)
DAS 16H ÀS 20H
Conservatórios descontentes com medidas para o ensino especializado
Ministério quer ensino da Música em cerca de uma centena de escolas privadas
07.02.2008 – 09h09 Bárbara Wong
O Ministério da Educação quer que o ensino especializado da Música, que actualmente se faz nos conservatórios públicos, seja alargado a cerca de uma centena de escolas privadas. Só para os alunos do 1.º ciclo. Quanto aos restantes, algumas escolas públicas deverão ter capacidade para ter essa oferta em regime integrado, ou seja, os jovens têm as disciplinas gerais e as específicas de Música no mesmo espaço.
“As principais linhas de orientação da reforma são: aumentar o número de alunos e melhorar os resultados”, informa Paulo Feliciano, vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), responsável pela reforma do ensino artístico especializado.
As medidas estão a preocupar alguns dos conservatórios, que receiam a extinção do ensino especializado no 1.º ciclo, para as crianças dos seis aos dez anos. As escolas estão também preocupadas com o fim de dois tipos de ensino, o articulado e o supletivo, que permitem aos alunos mais velhos ir fazendo a sua formação musical no conservatório, ao mesmo tempo que estudam noutra escola.
Actualmente, o número de alunos do 1.º ciclo a frequentar o ensino especializado (cerca de seis horas semanais) é de 500 em seis conservatórios. “Um número muito baixo”, afirma Paulo Feliciano. Na última reunião com os conservatórios, a ministra classificou o ensino que ministram como sendo para “elites”.
Para aumentar a oferta, o Ministério da Educação vai recorrer às escolas do particular e cooperativo que oferecem o ensino da Música. Serão cerca de cem. Os pais não pagarão mais por isso, assegura o responsável da ANQ.
O alargamento da rede estende-se ainda às escolas básicas e secundárias, que passarão a oferecer o ensino em regime integrado, ou seja, o aluno tem todas as disciplinas de formação geral e as de Música. “O regime supletivo é adverso, porque os pais têm de andar com as crianças de um lado para o outro, além de não propiciar o enriquecimento pedagógico”, considera Paulo Feliciano. “Esta é uma prioridade: ter mais oferta”, justifica.
Os pais contestam este regime, porque obrigará a que os filhos tomem uma decisão vocacional demasiado cedo. O vice-presidente da ANQ contesta, justificando que no 10.º ano o aluno pode fazer outra opção que não a Música.
Quanto aos docentes, o “imperativo do alargamento é fazer mais com os mesmos recursos, porque os professores são insuficientes”, diz Paulo Feliciano.
Para os actuais alunos dos conservatórios haverá uma fase de transição. Essa poderá decorrer durante os próximos três anos. Nesse período, os estudantes têm oportunidade de completar os seus estudos nos regimes em que se inscreveram, assegura o vice-presidente da ANQ.
Na última semana e até à próxima, a tutela continua a reunir-se com os conservatórios para definir uma estratégia específica para cada um fazer a transição.
Link do portal do governo com o estudo de avaliação do ensino artístico feito coordenada pelo Professor Domingos Fernandes:
