Conservatórios descontentes com medidas para o ensino especializado

Ministério quer ensino da Música em cerca de uma centena de escolas privadas

07.02.2008 – 09h09 Bárbara Wong

O Ministério da Educação quer que o ensino especializado da Música, que actualmente se faz nos conservatórios públicos, seja alargado a cerca de uma centena de escolas privadas. Só para os alunos do 1.º ciclo. Quanto aos restantes, algumas escolas públicas deverão ter capacidade para ter essa oferta em regime integrado, ou seja, os jovens têm as disciplinas gerais e as específicas de Música no mesmo espaço.

“As principais linhas de orientação da reforma são: aumentar o número de alunos e melhorar os resultados”, informa Paulo Feliciano, vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), responsável pela reforma do ensino artístico especializado.

As medidas estão a preocupar alguns dos conservatórios, que receiam a extinção do ensino especializado no 1.º ciclo, para as crianças dos seis aos dez anos. As escolas estão também preocupadas com o fim de dois tipos de ensino, o articulado e o supletivo, que permitem aos alunos mais velhos ir fazendo a sua formação musical no conservatório, ao mesmo tempo que estudam noutra escola.

Actualmente, o número de alunos do 1.º ciclo a frequentar o ensino especializado (cerca de seis horas semanais) é de 500 em seis conservatórios. “Um número muito baixo”, afirma Paulo Feliciano. Na última reunião com os conservatórios, a ministra classificou o ensino que ministram como sendo para “elites”.

Para aumentar a oferta, o Ministério da Educação vai recorrer às escolas do particular e cooperativo que oferecem o ensino da Música. Serão cerca de cem. Os pais não pagarão mais por isso, assegura o responsável da ANQ.

O alargamento da rede estende-se ainda às escolas básicas e secundárias, que passarão a oferecer o ensino em regime integrado, ou seja, o aluno tem todas as disciplinas de formação geral e as de Música. “O regime supletivo é adverso, porque os pais têm de andar com as crianças de um lado para o outro, além de não propiciar o enriquecimento pedagógico”, considera Paulo Feliciano. “Esta é uma prioridade: ter mais oferta”, justifica.

Os pais contestam este regime, porque obrigará a que os filhos tomem uma decisão vocacional demasiado cedo. O vice-presidente da ANQ contesta, justificando que no 10.º ano o aluno pode fazer outra opção que não a Música.

Quanto aos docentes, o “imperativo do alargamento é fazer mais com os mesmos recursos, porque os professores são insuficientes”, diz Paulo Feliciano.

Para os actuais alunos dos conservatórios haverá uma fase de transição. Essa poderá decorrer durante os próximos três anos. Nesse período, os estudantes têm oportunidade de completar os seus estudos nos regimes em que se inscreveram, assegura o vice-presidente da ANQ.

Na última semana e até à próxima, a tutela continua a reunir-se com os conservatórios para definir uma estratégia específica para cada um fazer a transição.

 

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