Pólos de Lisboa em risco de interromperem trabalho com 126 alunos dos seis aos 10 anos
10.02.2008

A tutela quer que os conservatórios ofereçam formação musical a partir do 2.º ciclo do ensino básico. Por isso, o trabalho que está a ser feito com 126 alunos, dos seis aos dez anos, nos pólos da Amadora e de Loures da Escola de Música do Conservatório Nacional, de Lisboa, está em risco. Os pólos funcionam há seis anos e alguns dos alunos estão a chegar agora ao conservatório com uma preparação que não havia anteriormente, constata a professora Mafalda Pernão.
Há um ano, a escola propôs alargar a experiência a mais duas autarquias, mas o Ministério da Educação chumbou. Anteontem, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, à saída de uma reunião com a EMCN disse que a experiência está a ser avaliada.
“É assim que o ministério quer chegar a mais alunos?”, pergunta Mafalda Pernão, comentando o anúncio de alargar o ensino da música a todos os estudantes do 1.º ciclo. Para o director da EMCN Wagner Diniz a intenção da tutela é fazer “engenharia financeira”: os professores são despedidos do conservatório e contratados para fazer as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no 1.º ciclo. Um ensino que não é igual ao ministrado nos pólos.
“Integremos nas AEC o alargamento do acesso à educação musical em geral. No que diz respeito ao ensino especializado, ainda está em fase de discussão”, disse Valter Lemos.
Dois dias antes, Paulo Feliciano, vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, responsável pela reforma, disse ao PÚBLICO que a intenção é pôr cerca de uma centena de escolas privadas a dar ensino especializado às crianças do 1.º ciclo. Mas a Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo já fez saber que essas escolas não têm meios para estender a oferta a todos os alunos. B.W.