10.02.2008, Bárbara Wong
Conservatório de Lisboa diz-se muito penalizado com nova reforma. Pais e alunos estão insatisfeitos. Braga já tem modelo que a tutela acha ideal
Amanhã às 10h00, à entrada da Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), em Lisboa, haverá um original coro de protesto: uma manifestação, um cordão humano em torno do edifício, concertos e reuniões. O mote: a reunião que a direcção da escola terá com o grupo de trabalho do Ministério da Educação que está a reformar o ensino especializado da música. Objectivo: chamar a atenção para aquilo que a escola considera um atentado ao ensino ali ministrado.
O ministério quer que as escolas de música públicas – os conservatórios de Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto e o Instituto Gregoriano de Lisboa – deixem de oferecer os cursos de iniciação musical às crianças do 1.º ciclo; e que deixem de ter alunos em regime supletivo (que estudam noutras escolas e aprendem Música no conservatório). Estas medidas põem em causa o ensino na maior parte das escolas, mas tem sido Lisboa que mais se tem indignado. Afinal, pode perder a maioria dos seus alunos, cerca de 550 podem ficar de fora.
Em vez do supletivo, a tutela propõe que as escolas mantenham o regime articulado (o aluno tem aulas na escola básica ou secundária, articuladas com as disciplinas no conservatório), mas ofereça sobretudo o ensino integrado (tudo na mesma escola).
A EMCN tem apenas 44 estudantes nesta situação. “À excepção de Braga, somos os únicos a ter integrado no 5.º ano e no secundário”, informa Wa-gner Diniz, director da escola. Não há mais alunos porque as famílias e eles próprios não querem, contrapõe Mafalda Pernão, professora na EMCN. “Os pais não estão interessados porque não são de Lisboa e preferem fazer menos deslocações para o centro da cidade”, explica. Os alunos também preferem ficar nas escolas onde estão porque é lá que têm os seus amigos, acrescenta.
Para Maria Ana Fleming, directora do Conservatório de Aveiro, os três sistemas podem coabitar. Também a Federação Nacional dos Professores tomou uma posição, no final da semana, afirmando o mesmo. Contudo, o Ministério da Educação quer levar por diante a reforma, com um tempo de transição para o novo modelo.
Há precisamente um ano, foi conhecido um relatório sobre o ensino da Música, encomendado pelo Ministério da Educação. O estudo feito por uma equipa de professores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa demolia o actual modelo, considerando-o caro e com baixas taxas de sucesso. A sugestão do grupo liderado por Domingos Fernandes (ex-secretário de Estado da Administração Educativa do Governo Guterres) foi a de que o ensino artístico seja feito, em regime integrado, ou seja, que a formação específica seja no mesmo local em que se têm as outras disciplinas gerais.
Este tipo de ensino poderá ajudar a melhorar o trabalho pedagógico e a reduzir as taxas de retenção e abandono escolar, defende a tutela, que quer fazer chegar a formação musical a todo o universo escolar. Actualmente apenas 17 mil estudantes num universo de 1,5 milhões têm acesso ao ensino artístico especializado. “Cada um dos regimes tem virtualidades e defeitos. O que pedimos é que os alunos possam escolher”, diz Wagner Diniz.
O ministério quer que as escolas de música públicas – os conservatórios de Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto e o Instituto Gregoriano de Lisboa – deixem de oferecer os cursos de iniciação musical às crianças do 1.º ciclo; e que deixem de ter alunos em regime supletivo (que estudam noutras escolas e aprendem Música no conservatório). Estas medidas põem em causa o ensino na maior parte das escolas, mas tem sido Lisboa que mais se tem indignado. Afinal, pode perder a maioria dos seus alunos, cerca de 550 podem ficar de fora.
Em vez do supletivo, a tutela propõe que as escolas mantenham o regime articulado (o aluno tem aulas na escola básica ou secundária, articuladas com as disciplinas no conservatório), mas ofereça sobretudo o ensino integrado (tudo na mesma escola).
A EMCN tem apenas 44 estudantes nesta situação. “À excepção de Braga, somos os únicos a ter integrado no 5.º ano e no secundário”, informa Wa-gner Diniz, director da escola. Não há mais alunos porque as famílias e eles próprios não querem, contrapõe Mafalda Pernão, professora na EMCN. “Os pais não estão interessados porque não são de Lisboa e preferem fazer menos deslocações para o centro da cidade”, explica. Os alunos também preferem ficar nas escolas onde estão porque é lá que têm os seus amigos, acrescenta.
Para Maria Ana Fleming, directora do Conservatório de Aveiro, os três sistemas podem coabitar. Também a Federação Nacional dos Professores tomou uma posição, no final da semana, afirmando o mesmo. Contudo, o Ministério da Educação quer levar por diante a reforma, com um tempo de transição para o novo modelo.
Há precisamente um ano, foi conhecido um relatório sobre o ensino da Música, encomendado pelo Ministério da Educação. O estudo feito por uma equipa de professores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa demolia o actual modelo, considerando-o caro e com baixas taxas de sucesso. A sugestão do grupo liderado por Domingos Fernandes (ex-secretário de Estado da Administração Educativa do Governo Guterres) foi a de que o ensino artístico seja feito, em regime integrado, ou seja, que a formação específica seja no mesmo local em que se têm as outras disciplinas gerais.
Este tipo de ensino poderá ajudar a melhorar o trabalho pedagógico e a reduzir as taxas de retenção e abandono escolar, defende a tutela, que quer fazer chegar a formação musical a todo o universo escolar. Actualmente apenas 17 mil estudantes num universo de 1,5 milhões têm acesso ao ensino artístico especializado. “Cada um dos regimes tem virtualidades e defeitos. O que pedimos é que os alunos possam escolher”, diz Wagner Diniz.

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